6 de março de 2026

Mulheres que abriram caminhos: o legado feminino na história do COFFITO

Em referência ao Dia Internacional das Mulheres (8/3), data que simboliza mundialmente a luta histórica dessa parcela da população por reconhecimento, direitos e equidade, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) celebra o pioneirismo de quem construiu as bases de sua história institucional. Inclusive, esse legado pode ser visto no documentário Ousar para mudar os rumos – A geração que transformou a história da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional no Brasil, lançado em dezembro de 2025.

Atualmente, em relação à representatividade feminina em cargos de gestão, o COFFITO tem como vice-presidente a terapeuta ocupacional Dra. Marianna Sousa. “Quando ocupamos espaços de poder, ampliamos a diversidade do debate, fortalecemos a democracia institucional e inspiramos novas gerações a compreender que esses espaços também pertencem a nós”, afirmou.

Ao longo de cinco décadas, o Sistema COFFITO/CREFITOs foi marcado pela atuação de mulheres e profissionais que ultrapassaram barreiras e ocuparam espaços de liderança em momentos decisivos. Entre elas, antes de a Dra. Marianna assumir a vice-presidência, destacam-se duas pioneiras nessa trajetória: a Dra. Sônia Gusman (1943-2012) e a Dra. Veridiana Arb Makhloof. Ambas compuseram a primeira diretoria do Conselho Federal, em 1977, com o Dr. Vladimiro Oliveira (1939-2001) e o Dr. Luciano Rebouças.

Foto: A terapeuta ocupacional Dra. Veridiana Arb Makhloof (à esq.) e a
fisioterapeuta Dra. Sônia Gusman | Acervo pessoal

Legado feminino

Primeira mulher a presidir o COFFITO, detentora do registro profissional n.º 1 e formada na primeira turma de Fisioterapia da Universidade de São Paulo (USP), Dra. Sônia atuou em um cenário historicamente desafiador para a presença feminina em posição de liderança. Defensora da valorização profissional e do fortalecimento institucional, seu trabalho à frente do Conselho Federal, de 1977 a 1986, viabilizou as bases que hoje fundamentam a atuação do Conselho Federal.

Ao seu lado, Dra. Veridiana Makhloof, primeira terapeuta ocupacional portadora do registro n.º 1 do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 3ª Região (CREFITO-3) e primeira vice-presidente do COFFITO, também desempenhou papel fundamental na construção e no aprimoramento das políticas institucionais, contribuindo para a ampliação do diálogo e para o desenvolvimento técnico e ético das profissões representadas pela autarquia.

Para além da gestão

A fim de compreender o impacto da liderança da Dra. Sônia Gusman para além da esfera institucional, o COFFITO conversou com o seu filho, Patrick Gusman. Segundo ele, o exemplo de determinação, ética e compromisso da mãe ultrapassou o ambiente profissional e se refletiu na forma como ela conduzia a própria vida. “A Fisioterapia foi a alma dela. Eu não estaria vivo se ela não tivesse sido a mulher e a fisioterapeuta do jeito que foi”, acrescentou Patrick, que nasceu prematuro.

“Para mim, é uma honra ser filho dela. Eu não a vejo em outra profissão. Como mulher, como minha mãe, como confidente, amiga, sócia. Eu acho que ela foi uma mulher maravilhosa”, lembrou.

Foto: Patrick Gusman (à esq.) em visita ao Dr. Sandroval Torres, presidente do Coffito, em 2026.

Caminho pavimentado

Para a Dra. Marianna Sousa, ocupar a direção do Conselho é resultado de um processo contínuo de fortalecimento da participação das mulheres nos espaços de decisão. “Não se trata apenas de uma trajetória individual, mas da continuidade de um caminho pavimentado por mulheres que vieram antes de mim e abriram portas com coragem e competência”, declarou.

Na avaliação da vice-presidente, essa presença é, também, uma questão de justiça e respeito. “Mulheres trazem perspectivas construídas a partir de múltiplas experiências, muitas vezes conciliando liderança, cuidado, maternidade, entre tantos outros papéis ocupacionais femininos”, disse.

Ao finalizar, Dra. Marianna deixa uma mensagem para as categorias profissionais e a sociedade. “Representar tantas mulheres é compreender que cada decisão precisa ser ética, técnica e sensível às realidades diversas das profissionais que atuam nos mais diferentes territórios do país”, concluiu.

Leiam também:

COFFITO relembra trajetória de Dra. Sônia Gusman, primeira presidente da autarquia

Fontes:

Ousar para mudar os rumos: A história da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional no Brasil

Entrevista com Veridiana Makhloof

Em Movimento

Foto em destaque: Dra. Marianna Sousa em discurso na Câmara dos Deputados durante homenagem a fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, em 2025.