28 de novembro de 2025

Fisioterapia pélvica masculina promove cuidado, prevenção e recuperação do paciente

O Novembro Azul reforça a importância do cuidado à saúde do homem, com foco na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata, o segundo de maior incidência entre os homens no Brasil. Mais do que uma campanha, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) busca quebrar tabus e incentivar o autocuidado.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se para o triênio 2023-2025 que o país deve ter cerca de 71.730 casos,  o que evidencia a necessidade de atenção. Os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais têm papel essencial nesse cenário, atuando desde a prevenção até a reabilitação após o tratamento.

Primeiros sinais

O fisioterapeuta Dr. Rafael Zanchet fala sobre os primeiros sinais que chamam a atenção durante uma avaliação. “Podem surgir sintomas como aumento da frequência urinária, jato fraco, sensação de esvaziamento incompleto, dor pélvica, desconforto perineal, disfunção erétil e redução da força ejaculatório-orgástica. Quando observamos esse conjunto de sinais, especialmente em homens acima dos 45 anos, o fisioterapeuta pode orientar a procura de um urologista para investigação”, explica.

Após o tratamento do câncer de próstata, seja por cirurgia ou radioterapia, o acompanhamento fisioterapêutico é indispensável. “As complicações mais frequentes são incontinência urinária, disfunção erétil, dor pélvica e fraqueza muscular do assoalho pélvico. Mesmo com o uso das melhores tecnologias, é inevitável algum grau de lesão nervosa durante a remoção da próstata. A Fisioterapia pélvica atua justamente na reabilitação dessas funções”, complementa.

Cirurgia robótica no SUS

Recentemente incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), a cirurgia robótica representa importante avanço no tratamento do câncer de próstata. Menos invasiva e com menor sangramento, ela possibilita uma recuperação mais rápida que a convencional. “Os estudos mostram resultados semelhantes entre os dois tipos de cirurgia [a robótica e a convencional] quando o tumor é diagnosticado em estágio inicial. O fator mais determinante continua sendo o diagnóstico precoce para reduzir sequelas”, destaca o fisioterapeuta.

Nos casos de cirurgia robótica, a recuperação tende a facilitar o início dos exercícios fisioterapêuticos. “Nos pacientes operados por via robótica, a recuperação tende a ser mais rápida em termos de mobilidade e dor, o que permite iniciar precocemente o treino do assoalho pélvico, potencializando os resultados”, diz.

Convite ao autocuidado

Além da parte técnica, Dr. Rafael Zanchet ressalta a importância do acolhimento e da educação em saúde. “De fora, pode parecer apenas um senhor com problemas íntimos. Mas, quando entendemos a história, percebemos o impacto emocional de quem sempre sustentou uma família e, de repente, se vê usando fralda ou impotente. O fisioterapeuta precisa acolher, explicar o processo e mostrar que há tratamento. Quando o paciente entende o propósito e se engaja, o progresso é muito mais rápido”, ressalta.

Para encerrar, Dr. Rafael faz um apelo direto. “Muita gente ainda tem vergonha do exame de toque retal, mas ele é rápido e simples. Se algo for detectado, o tratamento é eficaz, e 90% dos homens voltam à vida normal após a reabilitação. O problema está nos 10% que evitam o exame e deixam o câncer avançar. Não vale a pena deixar o preconceito te afastar de quem você ama”, conclui.

Fontes:

Câncer de próstata entra em nova era: robôs, testes genéticos e novas drogas mudam o tratamento e minimizam chance de impotência

Câncer de próstata